O número elevado de cesáreas no Brasil – 43% dos partos no país – levou o Ministério da Saúde a lançar, no dia 11 de maio de 2008, uma Campanha de Incentivo ao Parto Normal. Uma das etapas da elaboração da campanha foi uma pesquisa nacional para descobrir quais os motivos do número de cesáreas no Brasil passar tão longe dos 15% máximos recomendados pela OMS (Organização Mundial de Saúde). A pesquisa identificou os cinco maiores mitos ligados ao parto normal. Aqui, o médico e diretor de ações estratégicas do Ministério da Saúde, Adson França*, desmistifica cada um deles.

1 - Mulheres baixas não podem ter filhos por parto normal

“O tamanho do canal não está ligado à altura de uma pessoa. É uma crendice, como aquela da estatura do homem e seu pênis.”

2 - Quem espera gêmeos só pode fazer cesárea

“As gestações múltiplas não necessariamente significam uma cesária. Assim como em partos de uma criança apenas, a cesárea em gêmeos é indicada quando há complicações ou posicionamento que impeça de qualquer forma a saída natural pelo canal. Quer uma prova? A atriz Fernanda Lima teve gêmeos por meio de parto natural – inclusive, ela aceitou participar gratuitamente da campanha de incentivo ao parto normal.”

3 - A vida sexual fica comprometida

“O medo de ter o canal ‘alargado’ ou de não agradar mais ao parceiro é muito difundido. O fortalecimento do canal se dá por uma vida não sedentária, com um mínimo de atividade e com alguns exercícios específicos. Muito mais grave que ‘alargamento’ (que, no pior dos casos, é resolvido com um simples procedimento) é o risco de seqüelas e de morte que a cesárea traz, e que a maioria das mulheres desconhece.”

4 - Depois de ter feito uma cesárea não se pode mais ter parto normal

“Muitas pessoas acreditam que a cicatriz feita na cesárea vai se romper caso o próximo filho nasça de parto normal. Isso não passa de uma crença: estando em condições, não há por que uma mulher não optar pelo parto normal.”

5 - Cordão umbilical enrolado

“Não é porque um bebê aparece enrolado no cordão na hora do ultra-som que ele estará assim no momento do nascimento. Ele pode mudar, ou o médico pode desenrolá-lo (há técnicas para isso), e nem mesmo todas as posições de cordão umbilical enrolado impedem o parto normal.”

*Adson França também é há quatro anos coordenador do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, criado em 2004. Ele ressalva: “Não somos contra a cesárea de forma alguma, pois apoiamos qualquer medida que salve a vida das mães e dos bebês. Somos contra, sim, a cesárea sem indicações”

 
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