Mikonos, junho de 2001. Depois de quatro dias na tranqüila ilha de Paros, chegamos via ferryboat a uma das ilhas mais famosas da Grécia. Assim que descemos do barco, uma multidão vem nos oferecer acomodação e transporte. O assédio é tão incontrolável que a gente desconfia. Achamos melhor procurar um ponto de ônibus para chegar ao centro e pesquisar alguns hotéis. Enquanto subimos a rua com mochilas nas costas, todos os automóveis nos ultrapassam e nos deixam para trás. Finda a subida, outra surpresa: não há nada por perto. Nem ônibus, nem uma alma viva. E já escureceu.
No momento em que o desespero começa a vir à tona, aparece um senhor alcoolizado, dirigindo uma van, gritando em inglês. “Entrem! Vocês não vão encontrar nada por aqui. Tenho um hotel. Podem olhar, sem compromisso. Se não gostarem, pelo menos estarão no centro. Come on!” Topamos, é claro. Não há alternativa. E o cara voa a 70 quilômetros por hora na estrada estreita, cheia de curvas, falando alto como se tivéssemos problema de audição. Barbeiragem atrás da outra, vou torcendo no banco de trás para chegar inteira. Chegamos. Ele nos mostra a suíte com vista para o mar e diz o preço, US$ 15 a diária. Inacreditável.
Nos dias seguintes, munidos de uma lambreta alugada, percorremos as estradinhas de Mikonos sem pressa, parando em todas as praias. Aliás, não me recordo de nenhuma de que não tenha gostado. Mesmo com a presença de muitos turistas em algumas, sempre havia um cantinho no qual eu podia fazer topless à vontade, como a maioria das mulheres. A água cristalina do mar Egeu somada ao tempero da comida, especialmente peixes e frutos do mar, fizeram daquela viagem um sonho. Inclusive porque eu tinha 22 anos, o Salles, meu marido, 26, e estávamos morando – e ralando – juntos em Londres havia seis meses. A viagem fechou aquele período intenso. Dali seguimos pela Europa no esquema mochilão e, na seqüência, voltei ao Brasil. Ele passou mais dois meses na Espanha...
Eletromagnetismo em Atenas
Atenas, maio de 2008. Um congresso sobre eletromagnetismo nos trouxe de volta à terra de Sócrates e Platão, quem diria. Hoje vivemos na Alemanha, onde o Salles, engenheiro, faz doutorado e, agora, tem de apresentar um trabalho na capital grega. Para minha sorte, tivemos que pagar apenas a diferença de 10 euros para eu dormir no mesmo quarto do hotel President, um arranha-céu em meio aos predinhos brancos da cidade. Da última breve passagem por lá, guardava apenas a visão nostálgica da acrópole iluminada à noite. A colina sagrada, símbolo do país, guarda as ruínas dos templos dedicados à deusa da sabedoria, Atena, protetora da cidade, entre outros patrimônios. Fica a 150 metros de altitude e pode ser contemplada a distância por quase todos os lados. Foi exatamente ali, no centro antigo de Plaka, que começamos esta segunda viagem.
 |
| Grafite dos brasileiros Os Gêmeos e Nina na rua Peiraios, em Gazi, reduto moderninho. Ao lado, o teatro Herodes, na acrópole de Atenas |
|