Foi louco. Por Atenas, bateu amor à segunda vista: as pessoas simples e prestativas, o trânsito caótico, o calor, a arte urbana, as conversas em alto tom, tudo lembrava São Paulo. Estávamos em casa. Com quatro dias pela frente e um marido na conferência, o jeito foi sair sozinha. Agora, as linhas de metrô têm maior alcance e é muito fácil se virar na cidade. Andar de ônibus é meio complicado, a não ser que você fale grego. No entanto, as estações de metrô são lindas e organizadas, há arte por toda parte. A capital tem um lado moderno e muito convidativo, em paralelo à abundância de sítios e museus arqueológicos.
Numa quarta-feira à noite, fomos juntos conhecer Gazi, antigo bairro industrial, hoje dominado por bares e restaurantes ao redor da estação Kerameikos. É lá que fica o Technopolis (techno=arte, polis=cidade), a cidade das artes, uma fábrica antiga de gás que virou um grande centro cultural. Mas eu não sabia de nada ao passar por ali. Somente seguimos o faro e entramos. Vimos dezenas de chineses produzidos. Nos galpões, encontramos várias obras de novos artistas. E então descobrimos que se tratava da abertura da exposição “Beijing-Athens”, a maior já realizada sobre arte contemporânea chinesa fora da China. Não só vimos a expo de graça, como também desfrutamos vinho grego – eles produzem ótimos brancos.
No dia seguinte, cansada da poluição, peguei um ônibus em direção ao Cape Sounion, a 69 quilômetros ao sul de Atenas. A viagem leva duas horas, segue pela península Ática à beira-mar e termina no templo de Poseidon, o deus do mar, a quem os gregos pediam proteção e bons ventos. Segundo a mitologia, Poseidon era generoso, porém temperamental; chegava a promover terremotos e inundações por vingança e capricho. Do templo construído no século 5 antes de Cristo, restaram as colunas e a energia sagrada.
Delírios em Santorini
A Grécia tem 1.400 ilhas, sendo 227 habitadas. Destas, 78 possuem mais de 100 habitantes. Por que todo mundo cisma com Santorini? Me fiz essa pergunta para decidir em qual ilha iríamos. Depois de surtar na internet procurando uma opção, cedi à curiosidade e convenci o Salles a irmos para lá e descobrir a resposta. Embora soubesse que não teríamos como curtir praias paradisíacas, visto que Santorini é uma ilha vulcânica, que teve origem em uma erupção ocorrida há 3.500 anos e, portanto, de formação rochosa, a possibilidade de ver a caldeira de perto falou mais alto. Então pegamos um avião de Atenas a Santorini, alugamos um carro e paramos na última vila, Oia. Bastou olhar para aquela vista com múltiplos tons de azul e nuvens dissipadas. A resposta estava ali. Silêncio. |