O amor é enrolado em qualquer idade, qualquer época e qualquer lugar. Toda história renderia uma novela das oito, escrita pelo Manoel Carlos e adaptada para as areias do Leblon. A jornalista que tem a sua vida transformada quando conhece um motoboy. A mulher que namora o irmão mais velho, mas o trocaria pelo irmão mais novo. O palmeirense que se apaixona por uma corinthiana. A senhora que, depois de um casamento de 30 anos e três filhos, descobre que gosta de outras mulheres. O homem que namora outro homem que diz ser quem ele não é. O menininho que é ‘traído’ pela namoradinha na escola, termina o relacionamento com o olhar e volta com ela poucos dias depois porque quer brincar em sua casa depois da aula.
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Lucas e Rebecca voltaram. No fim das contas, foi uma decisão acertada terminar com o olhar e não com palavras. Tomarei nota em minha mente para os meus relacionamentos, já que palavras costumam ser definitivas e olhares sempre deixam entrelinhas. Na hora de voltar com a Rebecca nada precisou ser verbalizado também. Eles simplesmente brincaram juntos, sorriram um para o outro e se divertiram juntos. Como todos os namorados deveriam fazer.
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Na sexta-feira, fui buscar o Lucas na escola e ouvi um cochicho:
- Esta que é a mãe do Lucas…
Eu já me acostumei com esta história de perder a identidade e ser chamada de “A mãe do Lucas” por todo mundo. Quando olhei para o lado, vi a mãe da Rebecca comentando com a irmã mais velha da namoradinha do Lucas, que tem uns 18 anos. Dei um “oi” meio sem graça, de longe e esperei o Lucas voltar, desequilibrando com sua mochila pesadíssima e cheia de livros. Quando ele apareceu, ouvi um novo cochicho:
- Este que é o Lucas…
- Que alto que ele é. E que bonito! – a menina respondeu.
Lucas quis esperar pela Rebecca e por sua irmã gêmea, a Olga, para irmos todos juntos e conversando.
Falamos de coisas superficiais como o peso da mochila, a mensalidade da escola, a festinha do sorvete que aconteceria em outra escolinha do bairro (*), até que a sogra do Lucas voltou a convidá-lo para conhecer sua casa:
- Deixa ele ir na semana que vem?
- Combinaremos no começo da semana.
- Ela me enche o saco para o Lucas ir lá em casa.
- Ele me enche o saco para ir na sua casa também.
Enquanto tínhamos este papo, mais à frente caminhavam Lucas e Rebecca tagarelando e a rua se aproximava. Eu acelerei o passo para atravessar segurando na mão do meu filhote, que por sua vez segurou a mão da Rebecca.
Foi a primeira vez que pegaram nas mãos um do outro, meio porque são namorados, meio porque é perigoso atravessar a rua sem o apoio de um adulto. Ficamos ali os três de mãos dadas, em uma situação mais constrangedora para mim do que para qualquer um deles. Eu devo ter mudado de cor, mas não fui a única. A Rebecca também morreu de vergonha.
- Solta a minha mão – ela disse quando chegaram na calçada.
Ele soltou naturalmente. Eu continuei segurando na outra mão dele.
- Está com vergonha, Rebecca? – o Lucas perguntou.
- Não sei como você não morreu de vergonha, Lucas – eu disse.
- Não acho o Lucas tão envergonhado – observou a mãe de Rebecca. – Quando ele liga lá em casa, ele pede para falar com ela direitinho, pergunta como eu estou. Os outros meninos que ligam lá atrás da Rebecca não são assim…
PUTAQUEL, MEU! QUE OUTROS MENINOS LIGAM LÁ ATRÁS DA REBECCA, MEU CACETE????
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Depois todas elas seguiram em frente e eu desci a Avenida Pompéia com o Lucas:
- Vocês estão firmes de novo, né?!
- Eu te disse que voltamos.
- Você até segurou na mão dela…
- … Pela primeira vez… – ele estava nas nuvens. – Sabe, mãe, a gente sempre vive dizendo um para o outro: “Te amo, Lucas”, “Te amo, Rebecca”…
- ÃHM? Mas ela morreu de vergonha só de pegar na sua mão!
- Ah, mãe. A gente fala que se ama pelo MSN. Pessoalmente a gente nem se conhece muito bem!
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(*) Depois conto sobre a festa do sorvete!

























