Revista TPM

 
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Postado em 09.03.2010 | 15:03 | por Elka Andrello
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Elka Andrello

nishita01

Na entrada todas nós tivemos a testa pintada com um bindi vermelho e ganhamos um RAKHI,

uma  pulseira de linha vermelha com uma flor,

que simboloza amizade.

 

 

Elka Andrello

nishita03

A Graziela no colinho da

minha queridíssima amiga Maya.

 

 

Elka Andrello

nishita02

Sem preconceitos.

As casadas também foram convidadas para a festa.

 

 

Elka Andrello

nishita07

Peça de teatro.

Eu não entendi nada, mas a mulherada adorou.

 

 

Elka Andrello

nishita08

Dr Kishwar Shirali, psicóloga e professora da universidade de Himachal Pradesh. Ela trabalha pela capacitação feminina desde 1971 e desde sua aposentadoria, em 1997, trabalha com pscoterapia e tratamentos alternativos com as moradoras da comunidade. E faz até chover se precisar!

 

 

Elka Andrellonishita09

Dramatização do dia-a-dia

das mulheres que ralam sem parar.

 

 

Elka Andrellonishita13

Eco-maquete.

 

 

Elka Andrello

nishita12

Menininho morrendo de tédio.

 

 

Elka Andrellonishita15

Clube da Lulu e o Bolinha.

 

 

Elka Andrellonishita14

Dra. Kusum passa o "chapéu" para arrecadar dinheiro para a construção de uma ponte.

A monja amiga dá um bom exemplo de generosidade.

 

 

Elka Andrellonishita19

Comilança!

Delícias típicas indianas!!!

 

 

Elka Andrello

nishita06

Tricotando.

As mulheres fazem tricô sem parar,

até andando pela rua elas tricotam bluzinhas de lã.

 

 

Elka Andrellonishita11

Fofuuuuuchaaaa!

 

 

Elka Andrellonishita16

Mulher do vilarejo se monta

com roupas típicas da região.

 

 

Elka Andrellonishita18

Apresentação de dança típica com música ao vivo.

 

 

Elka Andrellonishita20

Dra. Bárbara, médica austríaca criadora da ONG, deixou a seriedade de lado

e se jogou no palquinho improvisado.

 

 

Elka Andrello

nishita22

Amigas nepalesas e tibetanas

se arriscaram na dança indiana.

 

 

Elka Andrellonishita21

Sonia, amiga indiana que me convidou

para fotografar o evento.

 

 

Elka Andrellonishita23

As ocidentais estavam lindas de sari

e dançaram super bem.

 

 

Elka Andrellonishita24

New generation!

Quero só ver quando a geração dessas meninas

educadas com consciência do seu valor e direitos crescerem. Será que vai ter muita solteira

fazendo e acontecendo na área?

 

 

Imagine morar em um lugar onde na condição de mulher a sua única opção socialmente aceita é casar. Imagine que o casamento é arranjado pelo seu pai com um homem que você não conhece, não gosta, te trata como empregada e nunca faz um carinho em você. Para piorar, ele toma todas e te faz ter relações sexuais com ele. Imagine interromper seus estudos básicos e ir viver com esse brucutú, lavar, passar e procriar. Imagine viver sem amor! Essa é a realidade da maioria das mulheres indianas.

O drama de ser mulher começa na barriga. Aqui o fetocídio feminino é tão alarmante, que o governo da Índia proíbe o médico de revelar o sexo da criança quando faz um ultrasom. Quando eu fui fazer exames em uma clínica fiquei chocada com os cartazes criados pelo governo pendurados nas paredes, dizendo que revelar o sexo do bebê é crime. Conversei com o médico e ele disse que é possível saber o sexo clandestinamente por 5 mil rúpias (R$250) e fazer um aborto por 20 mil rúpias (R$1.000). E completou que ter filha mulher é motivo de depressão para a maioria das famílias.

Dia 8 de março foi o dia internacional da mulher, e umas amigas que trabalham pelos direitos das mulheres indianas na ONG Nishta, me convidarem para fotografar o evento do projeto das "single woman", que são as mulheres viúvas, mulheres abandondas, mães solteiras e lésbicas. Foi o dia da mulher mais sensacional que eu já tive!

O tema do encontro foi "Clean water is our life", começou depois do almoço e reuniu as mulheres não casadas, o que é um escandalo nessa região. As casadas, que não são nem um pouco bobas, baixaram por lá também com a criançada. Como idéia era deixar elas bem a vontade, muitas dessas mulheres escondem o rosto até mesmo dentro de casa para se proteger contra abusos dos sogros e cunhados, os homens ficaram de fora, os poucos que participaram são colaboradores da ONG. Rolou de tudo um pouco, peça de teatro, discursos, canto e muita dança. No final virou festa, todas subiram no palquinho improvisado e dançaram sem medo de ser feliz! Essas mulheres que até 20 anos atrás não aprendiam a ler e escrever, hoje tem expressão e respeito. Foi emocionante ver como organização e união podem transformar a vida de uma cidade.

A dra. Bárbara, criadora e presidente da ONG, tem planos de ir ao Brasil esse ano, e a Nishta precisa de médico voluntário para trabalhar aqui na clínica. Quem se interessar em conhecer a médica ou trabalhar como voluntária na Índia, pode me escrever e eu passo todos os contatos. Vem que tem!


 

 

 

 

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Postado em 06.03.2010 | 15:03 | por Elka Andrello
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Ele não é famoso como o George Cloney, mas é bofe e arranca suspiros. Não é o Bertolucci, mas é um talentoso diretor de cinema, e assistiu o próprio na direção de “O Pequeno Buda”, com direito a uma ponta no final do filme. Dono de uma inteligência, charme e senso de humor peculiar, para muitos budistas ele é o próprio, o iluminado. Para quem ainda não teve o prazer, aqui vai uma exclusiva com o incrível  lama budista Dzongsar Khyentse Rinpoche.

 

 

Estava parada na porta de um lugar com uma arquitetura não sei se greco ou se romana, em Bir, cidade que fica no norte da Índia, aos pés do Himalaia. Faz um ano que espero para conversar com o Rinpoche. Na fila comigo, pessoas do mundo todo, chineses, russos, indianos e ingleses. Estava no meu canto, sem blábláblá com os demais, ouvindo o som do mantra de Shiva, deus hindu da renovação, carregado pelo vento de algum templo na área. O Rinpoche aparece na porta, aponta para mim e fala “você agora”. Lá vou eu atrás do lama também conhecido como emanação de Manjushri, o buda da sabedoria. Confesso que estava um pouco preocupada em parecer burra, afinal o que perguntar de inteligente para aquele conhecido como emanação da sabedoria?

 

Elka Andrello_eu mesma: A mulher contemporânea tem bastante liberdade. Ela trabalha, tem seu próprio dinheiro, liberdade sexual. Você não acha que ela se esquece de ser mulher, que o feminino está se perdendo no rítmo de vida moderno?

Dzongsar Khyentse Rinpoche: Muito boa a sua pergunta. A minha resposta é a sua pergunta. Mas eu entendo porque elas se transformaram nisso, os homens de uma maneira geral perderam a mão das mulheres, e os homens também nunca foram justos com elas. Por isso que muitas acham que devem fazer alguma coisa para se colocar, mas o método que elas escolheram é um pouco errado.

 

Elka: E qual é a receita para manter a feminilidade e lidar com os desafios do dia-a-dia?

Rinpoche: Isso é difícil. Elas deveriam esquecer que são mulheres  e agir apenas como um ser humano. No momento que entra o rótulo homem e mulher aparece um monte de problemas.

 

Elka: Como o feminino é representado no budismo?

Rinpoche: De acordo com o tantrayana a mulher é a personificação da sabedoria, uma posição muito, muito elevada. Normalmente a figura da mãe é usada como metáfora para falar sobre a mais elevada visão budista que é a vacuidade, shunyata.

 

Elka:  Muitas mulheres enfrentam a difícil decisão de fazer um aborto. O que você tem a dizer sobre o isso?

Rinpoche: Eu acho que o melhor é ir na raíz do problema que é educar as mulheres, principalmente as gerações mais novas. Se  falarmos sobre as consequências de não se prevenir, talvez possamos protegê-las para não terem que chegar ao ponto de fazer um aborto. Eu tenho certeza que quem fez um aborto passa por uma grande dor, não dor física, mas ter que abortar alguém deve ser muito dolorido, e muitas vezes acontece por falta de educação e informação. Tem que se cuidar desde o início. Se já aconteceu e a mulher estiver grávida, eu encorajaria a ter o bebê, porque muitas bençãos e alegrias vem junto com a criança. Não precisa ter medo.

 

Elka: Como ter consciênca do corpo, se tratar bem e se manter presente no momento, não ficar viajando em situações passadas ou preocupações futuras?

Rinpoche: Isso tem haver com a importância que você dá ao que os outros pensam. Principalmente no mundo moderno, o que os outros pensam ganhou tanto peso, que  ao se deixar levar por isso você abusa não apenas o seu corpo mas também da sua mente. E na verdade o que as pessoas pensam sobre você não é importante.

 

Elka: E a gente gasta tanta energia com a nossa aparência, não apenas por nós mesmas, mas para sermos aceita pelos outros.

Rinpoche: E isso não é de agora, sempre tem sido assim. Na  China antiga os homens achavam que ter pés pequenos era sexy e  por causa disso as chinesas enfaixavam os pés.

 

Elka: Sobre filhos e educação. Eu sempre aprendi que a melhor maneira para ensinar as crianças é através do exemplo.

Rinpoche: Alguém que inspire é sempre mais importante do que alguém que saiba ensinar.

 

Elka: Você recomendaria algum livro ou filme que ache  inspirador?

Rinpoche: Corra Lola corra

 

Acabou a entrevista, saí digerindo a conversa e chutando um sapato que estava na entrada para longe. Quem estava do lado de fora me olhou com uma cara meio estranha. Mas e daí, quem se importa com o que os outros pensam? Corre Elka, corre!

 

 

***Essa entrevista é dedicada ao Wilson Rosa Melchiades,

meu avô querido, que partiu no dia 17 de fevereiro de 2010.

 

 

 

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Postado em 23.02.2010 | 13:02 | por Elka Andrello
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elka andrello

neve1

Nevou em casa.

 

 

elka andrello

snow3

E pela primeira vez eu vi e brinquei com a neve.

 

 

elka andrello

neve3

A horta de casa ficou cheia de gelinho.

 

 

elka andrello

snow7

A minha mãe parece a Cinderela.

 

 

elka andrello

snow6

As minhas professoras da escola

fizeram um boneco de neve.

 

 

elka andrello

snow5

Eu ajudei a fazer o rosto com botões.

 

 

elka andrello

losar2

O losar é o ano novo tibetano.

Fui com a minha mãe no templo do Dalao Lama.

 

 

elka andrello

losar3

Tinha umas tormas gigantes,

essas esculturas de manteiga feita pelos monges.

 

 

elka andrello

cow2

A vaca do vizinho teve bebê.

 

 

elka andrello

cow6

E a vovó deles faz linha com o pelinho da ovelha.

 

 

elka andrello

shiva1

A minha professora Sakina

levou a gente passear em uma gruta sagrada.

 

 

elka andrello

shiva2

Tem que entrar se arrastando.

 

 

elka andrello

shiva5

Dentro da gruta tem uma estátua de Shiva,

um deus hisndu.

 

 

elka andrello

shiva3

E eu fiquei lá dentro, olhando o rio.

 

 

 

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Postado em 11.02.2010 | 06:02 | por Elka Andrello
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Moro perto do Norbulignka, ótimo instituto de artes tibetano, e do Thosamling, tradicional centro de estudos tibetano criado pelo Dalai Lama, e por aqui circulam vários ocidentais que moram na área estudando essa cultura. Pode parecer bastante exótico, mas tem uma galera que dedica anos da vida, muitas vezes vivendo em condições precárias, para aprender o que o tibetano tem. E isso faz todo sentido, afinal é aqui na Índia que fica o governo do Tibete no exílio e a residência oficial do Dalai Lama há 50 anos. Foi através de uma dessas figuras  que são chamados por aqui de westerns, o Erick Tsiknopoulos,  que eu fiquei conhecendo o serviço de tradução de texto para tatuagens em tibetano.

 

Caligrafia tibetana

Caligrafia tibetana

 

Funciona assim: você entra no site, paga U$10 por palavra, que pode ser desde um mantra até o nome do seu pet, e recebe a tradução por email. O site também traduz palavras para o sâncrito, hindi, hebreu, chinês e gujarati.

 

tatto escrita 2Mantra da compaixão

OM MANI PEME HUM

 

 

Muitas pessoas tatuam mantras e palavras em tibetano não só pela parte estética, mas por acreditarem que a tatu pode trazer benefícios espirituais. Os lamas budistas em geral são conservadores e não incentivam às pessoas fazerem uma tatuagem, e alguns são radicalmente contra tatuar mantras ou budas. Eu tenho amigos que são verdadeiros gibis (bonitos!) de mantras e figuras tibetanas.

 

buda

Imagem de deidade budista

 

 

tatto caveira

Caveira

 

 

tatto caveira 2

purba

purba, instrumento de rituais vajraiana

 

As ilustrações de animais e caveiras são as minhas favoritas. Na época em que eu trabalhava como VJ em festas em São Paulo, tinha um set de imagens de caveiras. São incríveis! E quanto mais você entende o significado, mais apaixonante é. Por exemplo, os dragões que ornamentam as colunas no interior dos templos servem para proteger contra as energias negativas, a flor de lotus nasce do lodo e simboliza os obscurecimentos transformados em sabedoria, o pavão come veneno e transforma em alimento, a pena de pavão simboliza a transformação dos venenos da mente em sabedoria, e por aí vai. Se quiser encomendar um trabalho de pintura sagrada tibetana em qualquer tipo de superfície e de qualquer  tamanho, eu recomendo um artista nepalês tudo de bom, o Singa, que mora no Rio Grande do Sul. Para  se ter uma idéia, ele demorou por volta de 8 anos para receber a autorização do mestre dele para pintar uma tanka. As tankas são lindíssimas, são imagens sagradas pintadas sobre uma lona e emolduradas em tecido brocado. No ano passado os tatuadores do seriado Miami Ink passaram pelo Nepal e compraram pencas de tankas para estudos que certamente vão virar tatuagem.

 

tara

Tara branca tatuada pelo top Chris Garver do Miami Ink

tangka

Tanka com imagem do Buda Amitaba

 

 Após a invasão chinesa, os tibetanos se esforçam para preservar a sua rica cultura. E a tatuagem, se vista como uma forma de arte, pode ser um meio de propagar essa estética e religião de um jeito alternativo.

Bom, vou para Macleod Ganji conhecer o estúdio de tatuagem dos manus tibetanos e posto as fotos aqui. Quem sabe eu não me empolgo e faço e minha primeira tatu? Fui!!!

 

Tags: tatuagem
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Postado em 14.01.2010 | 14:01 | por Elka Andrello
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 Hoje é o ano novo indiano, e assim como no Brasil, é feriado nacional. Mas aqui ninguém viaja ou bebe champanhe, os hindus vão rezar em templos centenários para Shiva, o deus da destruição, o deus do renascimento. Como sou “devota de Shiva”, subi uma ribanceira para ir num templo há 30 minutos de caminhada daqui de casa. O templo fica aos pés do himalaia na beira do rio e tem uma chama que está acesa há 400 anos! No caminho de volta para casa, dei de cara com uma cerimônia de cremação. Aqui os mortos não são enterrados, eles são queimados na beira do rio, uma verdadeira fogueira humana. Quem acende o fogo tradicionalmente é o filho mais velho, e esse é um dos motivos pelo qual as famílias ficam tristes quando nasce uma menina e felizes quando nasce um menino.

Era Shiva dando as caras, levando o velho e trazendo o novo!

Feliz ano novo, de novo!!!

Elka Andrello

Cerimônia de cremação aos pés do Himalaia

Cerimônia de cremação aos pés do Himalaia

Elka Andrello

Fogueira humana

Fogueira humana

Elka Andrello

Impermanência

Impermanência

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Postado em 07.01.2010 | 17:01 | por Elka Andrello
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A passagem do ano e da década foi comemorada de um jeito bem diferente. Ao invés de pular 7 ondas no mar, tomar champanhe e dar abraços e mais abraços, dessa vez eu fiz uma peregrinação na cidade sagrada de Tso Pema com a Graziela e a minha querida amiga Juliene. É isso, começamos essa nova década como peregrinas, por dentro com a aspiração no coração de encontrar as bençãos do Buda Padmasambava e remover obstáculos para o ano novo, e por fora totalmente descabeladas e amassadas, já que tivemos que sair da cama muito cedo e enfrentar o frio do Himalaia e a aventura que é viajar nas estradas indianas.

 

Há milênios, pessoas de todos credos e crenças viajam para lugares sagrados nos endereços mais exóticos e inusitados do planeta. E a Índia é um prato cheio nesse sentido, foi aqui que entre outros grandes seres, o Buda Shakyamuni nasceu como o príncipe Sidharta Gautama , se iluminou, ensinou e passou para o paranirvana, e vai ser aqui que  Maytrea, o próxima buda, irá surgir e se iluminar. A Índia é a maior reserva espiritual do planeta, tipo a Amazônia espiritual, não só para busdistas, mas para hinduístas, jainistas, e vários outros “istas”.  Os tibetanos se referem à ela como “a terra dos seres sublimes”.

 

O granda lama budista e talentoso diretor de cinema, Dzongsar Khyentse Rinpoche, disse uma coisa muito legal sobre lugares sagrados: “os budistas em busca da iluminação usam os mais variados gadgets disponíveis para alcançar a iluminação, e peregrinar até lugares sagrados é um deles”. O que te move a  deixar de ir para um lugar bacana como a Europa e fazer uma viagem desconfortável, cara e até mesmo perigosa, para um lugar sagrado, muda o jeito que você percebe as coisas num nível sútil e profundo. Visitar um lugar sagrado e acreditar nas bençãos desse lugar, cria condições da mente perceber os fenômenos ao redor de uma maneira diferente, dá insights e amplia os horizontes. A segunda vez que eu visitei Tso Pema, foi porque o Lama Kenpa me orientou a estender bandeiras de oração de Lungta ao lado das cavernas porque eu estava passando por uma situação bastante estressante e do nada sonhava com sapatos todas as noites, o que ele me explicou ser um péssimo sonho para os budistas. O meu lado pragmático achou isso tudo meio exótico demais, mas mesmo assim lá fui eu para Tso Pema. No meio do dia, me perdi das minhas amigas e fiquei procurando por elas sozinha. Uma monja me chamou do nada e mandou eu entrar na caverna secreta do Guru Rinpoche. Eu agradeci, disse que estava procurando as minhas amigas e que já tinha visitado essa caverna. Mas ela insitsiu e praticamente me obrigou a entrar lá. Quando eu dei por mim, estava sozinha dentro da caverna completamente escura e levemente alagada por causa das chuvas das monções. Tanta escuridão foi meio assustador no começo, mas aí eu me dei conta que o Guru Rinpoche tocou as mesma parede que estava me apoiando e fez retiro ali no escuro. O que aconteceu depois não dá para explicar aqui porque foi uma experiência bastante pessoal, mas eu garanto que se eu estivesse no escuro sentada no  sofá de casa, não teria achado as repostas que eu achei na caverna.

 

A Índia é caótica, suja e perigosa, mas sem dúvida nenhuma é uma aventura espiritual, a maior de todas. Eu recomendo para vocês pensarem duas vezes na próxima vez que forem programar suas férias, e ao invés de ir para Londres ou NY, desembarcar no Indira Gandhi e pegar um trem para Varanasi e Bhodigaya.

 

Feliz 2010, um ano novo muito inspirador e cheio de novas experiências!!!

**Um grupo de pessoas organizou o Mandarava Project, para arrecadar dinheiro e construir uma estátua da princesa Mandarava ao lado do lago Tso Pema. Quer ajudar? Vai lá: http://mandaravaproject.com/

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Postado em 23.12.2009 | 08:01 | por Elka Andrello
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“…Eu vim da Bahia

Mas eu volto pra lá

Eu vim da Bahia

Mas um dia eu volto pra láaaaaa…”

 

Comecei a escrever esse post e o ITunes disparou o João Gilberto cantando “Eu vim da Bahia”, música do Gilberto Gil, que todo mundo já ouviu pelo menos uma vez na vida. Trilha perfeita!

Pela primeira vez moro fora do Brasil. Mudei para o norte da Índia há 8 meses, com a minha filhota que fez 3 anos aos pés do Himalaia, a Grazielucha para os íntimos. Aqui na Índia de todos os santos, vi o próximo ficar distante e o distante ficar próximo. Tenho pouco contato com os brasileiros e budistas como eu, que moram por aqui. E para minha feliz surpresa, fiz bons amigos indianos hindus, sikis, muçulmanos, e alguns estrangeiros americanos, alemães e australianos, budistas, judeus ou agnósticos. Legal ver que o que une a gente não é idioma, cor ou religião, mas o coração, e sentir de novo essa coceguinha gostosa que faz no coração quando a gente encontra uma pessoa que gosta. Os indianos são educados, generosos, espiritualizados, muito gente fina, do tipo que sorri para dizer oi e olha no olho quando conversa. A maioria dos estrangeiros que eu conheço, estão por aqui há 5, 10, 15 anos ou mais, e se apaixonaram pela Índia. Ao contrário do que eu imaginava, não são hippies sujões que vivem no "dolce far niente" ou fogem do trabalho e das responsabilidades.  Ralam para caramba e ainda são comprometidos em ajudar a comunidade onde moram. Esses são alguns trabalhos bem bacanas made in India:

 

 

Eternal Creation é uma marca de roupas e acessórios super estilosos, para bebês, crianças e mulheres. A estilista e criadora da marca é a Frances, uma australiana que une criatividade com uma técnica impecável de alfaiataria. A Frances veio para cá como voluntária em 1994, para treinar refugiados tibetanos em design e alfaiataria. Se apaixonou pela Índia, fez um empréstimo de U$5mil com o pai e montou a Eternal Creation, associada à organização tibetana Gu-Chu-Sum , que abriga ex-prisioneiros, muitos vítimas de tortura nas prisões chinesas.

 

Big_04

Frances e funcionária indiana


A marca cresceu, e abriu o Himalaya Tailoring Centre, em Dharamsala, cidade onde mora o Dalai Lama, e hoje é umas das maiores empresas privadas geradora de empregos na região. As roupas são confeccionadas de maneira artesanal, com estampas lindas escolhidas a dedo pela Frances, ou criadas pelo Rory, marido dela que cuida da parte impressa da marca como fotógrafo e designer dos catálogos e do site. Os filhos do casal são modelos oficiais da Eternal Creation. A Graziela fez sua estréia como modelo com o pé direito, para o catálogo de verão de 2010. A marca é comercializada pela internet e em mais de 200 lojas na Australia, Europa e Asia. Gostou? Quer representar a Eternal Creation no Brasil? Me escreve que eu passo os contatos da Frances e do Rory.

 

Vai lá!

www.eternalcreation.com.

 

Dra. Bárbara e pacientes

Dra. Bárbara e pacientes

 

Dra. Bárbara é médica, formada pela universidade de Viena e mora na Índia há mais de 20 anos. Ela é do tipo de mulher que impõe tanto respeito que até assusta. Veio para cá nos ano 70 estudar yoga e conheceu o marido, o baba Krishan Nath, em baixo da árvore onde ele morava. Sim, na Índia alguns babas e homens santos moram em baixo de árvores! Casou, teve um filho e voltou com a nova família para Viena para estudar homeopatia e acupuntura com grandes mestres, tendo em mente voltar para a Índia e ajudar a comunidade local. Teve uma filha e o marido adoeceu e morreu. Montou a Nishta em homenagem ao marido, uma organização com princípos holísticos sem fins lucrativos que ajuda a população local. A Nishta oferece tratamento médico gratuito diariamente para mais de 60 pessoas, em uma clínica construída com dinheiro de doações. Eu já fui lá com a Graziela, quando ela caiu de bicicleta e se machucou, e fomos super bem atendidas.

 

 

A clínica trabalha com homeopatia e ayurveda, e alguns remédios são feitos  pela equipe da dra. Bárbara. Como a Nishta é uma organização holística, eles trabalham na árera educação, profissionalização e prevenção.  Uma iniciativa muito simples e eficiente é oferecer água filtrada para a população local. Água aqui é um problema sério, sei de história de gente que morreu por tomar água contaminada.  As mulheres recebem atenção especial da dra. Bárbara, que tem projetos com mães solteiras e viúvas, pessoas maldosamente discriminadas na sociedade indiana. E isso é só um pouco do que a dra. Bárbara faz. Uma notícia legal é que ela vai para o Rio de Janeiro em 2010. Eu aviso aqui no blog quando ela for para o Brasil. E se algum médico ou médica estiver interessado em trabalhar como voluntário na Índia, a clínica está precisando. Quem quiser conhecer mais o trabalho da Bárbara, o site é http://www.nishtha-hp.org

 

Didi Contractor

Didi Contractor

Didi Contractor é uma artista e designer americana que mora na Índia desde 1952. Ela constroe casas ecologicamente corretas com material e mão de obra local. As casas são rústicas e de super bom gosto. 

 

 

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Sidhbari Design, é uma empresa de internet criada pelo Brian, americano que mora aqui há 10 anos. Ele tem um alto nível de conhecimento técnico, cria e programa sites para empresas, projetos locais e monastérios, com qualidade internacional e preço local. O trabalho do Brian possibilita a inclusão digital para as iniciativas locais.  Quem me apresentou para ele foi o meu macintosh. É estranho mas é verdade. O meu mac deu um pau na placa mãe que precisou se trocada, e graças ao Brian consegui descobrir que era um problema de fabricação dos computadores do mesmo ano que o meu e arrumei o meu computador de graça. http://www.sidhbari.com/

 

Julia, Nicole e Sharon

Julia, Nicole e Sharon

 

Ekno Experience é uma empresa de turismo criada pela australiana Sharon, minha visinha super do bem. A Ekno Experience é especilalizada em viagens com um perfil espiritual e social pela Índia e Nepal. Entre outras coisas, a Ekno Experience promove todos os anos um tour pelo Ladakh, para levantar dinheiro para o Thosamling, manastério de monjas e mulheres budistas.

 

Turista social

Turista social

 

Outra iniciativa da Sharon é organizar “turismo social” em parceria com ONGs locais, em que as pessoas podem trabalhar como voluntárias na região. É uma maneira do turista conhecer profundamente o estilo de vida da população. A Sharon afirma com a maior convicção: “a Índia é um lugar com muitas oportunidades”.

Vem já para cá!

www.eknoexperience.com

 

Elka

Eu com a mão na massa

E, eu? Bom, eu conto essas histórias! Dar voz e visibilidade para essas iniciativas também ajuda! E espero expandir os negócios em 2010!

Feliz e próspero ano novo a todos!! E eu fico por aqui, cantando:

 

“…Eu vim de São Paulo

Mas eu volto pra lá

Eu vim de São Paulo

Mas um dia eu volto pra láaaaaa…”

 

 

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Postado em 26.11.2009 | 06:11 | por Elka Andrello
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Uma boa surpresa aqui na Índia foi descobrir desenhos animados que contam a história dessa civilização. Entre os desenhos estrangeiros na TV como “Ben 10” e “Tom e Jerry”, passam desenhos indianos incríveis como “Hanuman”, “Legend of Prince Ram”, “Tenali Rama”, “Krishna and Balram”, “Ganesh and Kartikeya”, e mais um monte. Eu acho esses desenhos ótimos, bem feitos e divertidos. As crianças aprendem desde cedo a história do seu país e se reconhecem nos personagens: crianças com bindi na testa, mulheres vestindo sari, homens de turbante e os deuses combatendo o mal e a ignorância através de valores morais universais como amor e coragem. A criançada cresce orgulhosa das suas raízes, cultura e valores, ao mesmo tempo que tem o direito ao universo da fantasia respeitado. Ai, que saudades da Emília!

 

Esses são apenas alguns desenhos sobre personagens e histórias indianas:

Falando bem rapidamente, o “Ramayana” é uma das mais importantes obras literárias da Índia antiga e teve um profundo impacto na arte e na cultura do país. É um épico sânscrito com 24 mil versos escrito por Valkime, não se sabe exatamente se em 500 a.c. ou 100 a.c. O poema conta a história do  príncipe Rama de Ayodhya, cuja esposa Sita é sequestrada pelo demônio rei de Lanka, Ravana. Rama é uma divindade popular adorada pelos hindus e a rota de sua viagem é percorrida todos os anos por peregrinos devotos. De acordo com a tradição hindu, ele é uma encarnação do deus Vishnu, que é parte da trindade hindu: Brahma (o criador), Shiva (o transformador) e Vishnu (o preservador). O principal propósito da sua encarnação é demonstrar o caminho correto (dharma) para as pessoas na terra. As últimas palavras de Mahatma Gandhi, sim ele mesmo, antes de morrer, foi o mantra de Ram.  Respire fundo e vai lá!

Legend of Prince Ram

Hanuman, o famoso deus macaco do hinduísmo, é uma encarnação do poderoso deus Shiva, o deus da transformação. Hanuman é o líder do exército que ajudou o príncipe Rama  vencer o malvado Ravana, no épico “Ramayana”. Ele é o mais poderoso de todos, pode voar, muda de forma e de tamanho. Depois de ajudar a vencer o vilão Ravana, o príncipe Rama disse para o Hanuman pedir a recompensa que quisesse. Ele respondeu: “Quero devoção infinita que é fonte da felicidade eterna”. Depois dessa, Hanuman é a corporificação da devoção no hinduísmo e segundo ele  “aquele que tem mais poder, pode servir melhor”. Matador (no bom sentido)!

Hanuman Agadam Pagadam

Hanuman

Hanuman Chalisa

Krishna é considerado pelos hindus a oitava encarnação do deus  Vishnu e surgiu na terra há 5 mil anos para destruir o mal. Ele aparece no épico “Mahabharata”, no “Bhagavad Gita”, escrito por Krishna Dvapayaana Vyasa, texto com mais de 74 mil versos e quase 2 milhões de palavras em sâncrito. “Mahabharata” é o texto sagrado de maior impotância no hinduísmo e fala sobre o tri-varga, ou as três metas na vida humana: kama ou desfrute sensorial, artha ou desenvolvimento econômico e dharma, a religiosidade que se resume em códigos de conduta moral e rituais. Mahatma Gandhi se apoiou em instruções do “Bhagavad Gita”, que sabia de cor, como instrumento legítimo de fé e na elaboração do conceito da “não-violência”. Krishna é muuuuuito popular, e várias religiões não-hindus com versões de Krishna, surgiram na Índia.

divulgação

Krishna in Vrindavan

Krishna in Vrindavan

Shiva é o deus hindu da transformação. Ele destrói para construir algo novo. Mando um doce indiano de presente pelo correio para quem nunca tenha visto uma imagem de Shiva, o deus azul com uma serpente no pescoço. Shiva mora no  Mount Kailasa, nos Himalaias, e está associado ao fogo, elemento que representa a transformação. Tudo que passa pelo fogo se transforma: o alimento que vai ao fogo, a água se evapora, os corpos cremados viram cinzas. Ele é o pai de Ganesha, o deus da boa sorte e prosperidade, que remove todos os obstáculos, e de Kartikeya, o cientista dos deuses que monta um pavão voador matador de serpentes.

Ganesh and Kartikeya

Bal Ganesh

Tenali Rama

Uma viagem no tempo volta ao mundo dos monarcas e palácios. Tenali é baseado em um personagem do folclore indiano, o homem da corte favorito do rei, que acaba colecionando muitos inimigos devido à sua popularidade. Mas, como um bom herói, Tenali usa sua inteligência e charme para vencer os adversários. Om Namaskar!!

 

 

 

 

 

 

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Postado em 17.11.2009 | 09:11 | por Elka Andrello
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O vento era tão forte que me acordou, até parecia uma música, sério!

Madrugada gelada, eletricidade cortada, filha dormindo quentinha. Voltei a dormir. De manhã, como todos os dias, saí atrasada para levar a Graziela para a escola. Entre uma bronca e um beijo na minha filhota, olhei para o lado e vi a montanha quase branca. Coisa mais linda! Moro na Índia, em Moli, um vilarejo com uma poucas dezenas de pessoas e muitas dezenas de vacas. Moro no norte da Índia, aos pés do Himalaia. Sou vizinha do topo do mundo. Todas as vezes que eu olho para as montanhas mais altas do planeta, elas estão ensolaradas enquanto o resto está na sombra. Parece um sonho. Tudo bem, tem um monte de filmes, livros, fotos e lendas sobre essas montanhas mágicas, mas eu só vou acreditar que elas existem no dia que eu pisar na sua superfície e comer um pouco de neve. Acho que vou me jogar no chão e ensinar a Gra a  fazer um anjo na neve. E depois gritar para ouvir meu eco. O budismo ensina que tudo o que a gente experimenta é um eco da nossa mente. Como será o eco lá em cima? Esse tem que ser um encontro perfeito, vou ter paciência e esperar a montanha ficar mais branquinha. Himalaia é uma palavra em sânscrito e quer dizer morada da neve, então quando nevar mais,  vou alugar um carro para levar a Gra conhecer a neve na casa dela. Porque aqui a neve não é apenas água congelada e a montanha não é apenas uma rocha alta. Não aqui no Himalaia. A montanha e a neve são seres mágicos que realizam desejos. E essas coisas a gente respeita.

 

Elka Andrello

him02

A casa onde eu moro em Moli, no norte da Índia.

 

Elka Andrello

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Minha vizinha.

 

Elka Andrello

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Os outros vizinhos.

 

Elka Andrello

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Aviso na entrada de casa.



Elka Andrello

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Escola da Graziela.

 

Elka Andrello

him14

Mandir, templo hindu, no quintal de casa. Todos os dias, no pôr-do-sol,

os indianos tocam um sino e levam oferendas para os deuses dentro dessa gradinha.

 

Elka Andrello

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A menina amiga da montanha.

 

Elka Andrello

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Noite de lua cheia.

 

himalaya_map

A cordilheira do Himalaia é a cadeia montanhosa mais alta do mundo.

O Himalaia estende-se até o

Afeganistão, Paquistão, Índia,

Tibete, Nepal, Butão e China.

 

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Postado em 11.11.2009 | 10:11 | por Elka Andrello
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Diwali, ou Festival das Luzes, é celebrado todos os anos na Índia e no Nepal, entre os meses de  setembro e novembro. O festival pontua o final das colheitas e os fazendeiros agradecem à deusa Lakshmi a riqueza obtida e rezam para que o próximo ano seja próspero. Lakshmi é a deusa hindu da $$ prosperidade $$, luz, sabedoria, fortuna, generosidade e coragem.

Parecia festa de São João no Brasil, as cidades ficaram lotadas de banquinhas vendendo fogos de artifício e também doces e luzes. Eu e a Graziela fomos convidadas por uma amiga indiana, a Sonia, para um jantar.  No começo da noite a Sonia cantou para a deusa Lakshmi na frente de um altar, enquanto ela girava um prato com oferendas. Todos nós pudemos fazer oferendas para Lakshmi. No final ela marcou a testa dos convidados com um bindi de tinta vermelha, o terceiro olho que os indianos usam. Acendemos muitas velas e soltamos tantos fogos de artifício que não faria feio em uma final de futebol. O jantar estava dos deuses! Terminamos a noite ouvindo hip hop com o Brian, marido americano da Sonia, que contou sobre o encontro com Adam "MCA" Yauch na livraria de Macleod Ganj, poucas semanas atrás. 

 

 

 

 

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